Afinal, o que é Escrita Criativa? Chama-se escrita criativa toda escrita que não é essencialmente técnica ou acadêmica. Artigos científicos, textos em tabelas, e-mails de trabalho, por exemplo, não são formas de escrita criativa, mas quase tudo o que você lê é – ou poderia ser classificado como – escrita criativa. Um texto no Facebook, um e-mail que você manda para um amigo, o texto que você escreve para acompanhar um cartão de aniversário… isso pra não falar em toda a literatura e na música, ou melhor, na letra.
O curioso é que praticar a escrita criativa vai te tornar mais capaz de escrever bem qualquer coisa, inclusive textos técnicos e acadêmicos.
A importância da prática
A prática da escrita, embora pareça óbvia, não é. Muito pouco se pratica o escrever, com a intenção de melhorar o produto final, especialmente depois de concluídos colégio e faculdade. Pressupomos, erradamente, que já sabemos português o suficiente e que acabou aí nossa aprendizagem.
Em teoria, poderia até ser. Em teoria.
Da mesma forma que alguém provavelmente vai engordar depois de dar por encerrado um regime que o ajudou a emagrecer, uma atitude blasé com a escrita – aliada à falta de prática – só tende a tornar o seu texto cada vez pior. Já vi MUITO doutor escrevendo voçê, confundindo a gente com agente e até de repente junto já encontrei (com as variações derrepente e derre pente, espantosamente). Isso pra não mencionar as construções de frase que não fazem sentido nenhum para quem lê.
Há uma crença que jornalistas e outros profissionais do texto escrevem melhor que os demais. E, de modo geral, escrevem mesmo. Pode até ser que alguns tenham nascido com o que se chama de “dom” (mas isso não seria exclusivo dos profissionais em questão); a verdade é que a grande maioria deles escreve bem porque nunca parou de exercitar a escrita, ou seja, como praticam regularmente a aptidão adquirida de organizar ideias em textos, estão “em forma”.
Diferente da escrita técnica ou acadêmica, a escrita criativa, por englobar quase tudo, abre muitas possibilidades pra imaginação. Quanto mais você começa a praticar, mais o mundo parece esconder histórias e a cada dia você também vai enxergar mais histórias pra contar.
O papel primeiro de uma oficina de escrita criativa é o de acordar o músculo de escrever, agora acomodado em postagens no Facebook ou na redação de e-mails curtos e objetivos. É ajudar com os primeiros passos nessa redescoberta do mundo das frases, parágrafos, metáforas e substantivos. Ao invés de focar na estrutura das orações, como numa análise sintática, uma oficina de escrita criativa irá exercitar a expressão, as formas diferentes de dizer cada coisa, em colocar pensamentos e emoções no papel, dizendo exatamente – ou quase – o que se quer dizer, conforme o propósito.
Você ama escrever e escreve regularmente, será que ainda assim uma oficina de escrita criativa é pra você?
Claro! Quem é que quer escrever pra ninguém? Imagine que bacana praticar a escrita, transformar suas ideias em textos e, em seguida, compartilhar estes textos com pessoas que tem o mesmo objetivo que você? Mesmo que você seja um autor publicado e se considere bom o suficiente, uma oficina de escrita pode ser pra você. Como eu disse lá em cima nesse artigo, a prática e a troca vão servir, se não pra acordar o músculo, pra variar o exercício, tirando você da prática solitária e sem feedback. Além do que, oficinas de escrita criativa são ótimos lugares – virtual ou presencialmente – para fazer novos, e interessantes, amigos. (:
Advirto, porém: os efeitos colaterais são muitos e escrever vicia. Mas há quem garanta – como o Joseph Pennebaker, com quem concordo 100% – que é um vício que faz bem.
Maria Rachel, do Terapia da Palavra
Mais, aqui, ó.
= a dinâmica da redação criativa
A edição atual da revista Língua Portuguesa está com uma matéria muito interessante sobre técnicas de redação criativa. Espiem só, aqui.
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